quarta-feira, 25 de abril de 2012

A POLÍTICA CAMBIAL COMO FERRAMENTA ECÔNOMICA


A política cambial exerce grande influência sobre a política aduaneira (exportações e importações) de um país. Os principais componentes da política cambial de qualquer país são os instrumentos cambiais, uma vez que sua utilização é de competência exclusiva do governo federal, na medida em que o poder decisório sobre sua utilização foge da alçada e da competência dos governos estaduais ou municipais.

 POLÍTICA CAMBIAL E MERCADO CAMBIAL


                        Política cambial é baseada na administração das taxas de câmbio e no controle das operações cambiais, variáveis relacionadas às transações econômicas de um determinado país com o exterior, ou seja, é o conjunto de medidas e ações do governo que influem no comportamento do mercado de câmbio e da taxa de câmbio.
                        Mercado de Câmbio é o ambiente (físico ou virtual, pois as trocas de moeda podem ser feitas também por meio eletrônico, sem a presença física dos participantes) onde se realiza as operações de câmbio entre os agentes autorizados pelo BACEN - Banco Central do Brasil (bancos, corretoras, distribuidoras, agências de turismo etc.) e entre esses e seus clientes.


MERCADOS DE CÂMBIO


                        O Mercado de Câmbio pode ser Flutuante ou Paralelo. Flutuante, quando as operações são caracterizadas por financeiras. Paralelo, quando pessoas físicas ou jurídicas utilizam este mercado, sendo que não tem a necessidade aparecer.
Posição de câmbio: de todo o banco poder realizar quantas operações de compra e venda de câmbio que ele desejar, não significa que não exista um sistema rígido de controle destas operações.
Deve-se considerar que o mesmo existindo a negociação em outras moedas conversíveis, o banco deverá fazer uma conversão para o dólar americano. Assim é possível o BACEN, fiscalizar e conferir o que os bancos realizaram durante o dia.
Os dois principais parâmetros de taxa utilizados no mercado, para emprestar e tomar emprestado recursos junto às instituições financeiras são:
a) Libor: de juros oferecidos pelo mercado de Londres (em prazo diferenciado).
b) Prime: de juros oferecidos pelos bancos americanos dos clientes.
Algumas finalidades que fazem parte do mercado financeiro:
- exploração de patentes, marcas ou propaganda.
- fornecimento de tecnologia industrial, cooperação técnico industrial,
- serviços técnicos especializados,
- outros: assinaturas de jornais e revistas, aluguel de fitas e discos gravados, etc.


TAXA DE CÂMBIO


                        O preço de uma unidade monetária de uma moeda em unidades monetárias de outra moeda é denominado Taxa de Câmbio, que pode ser definida em termos diretos (ao incerto) ou em termos indiretos (ao certo).
                        Termos diretos: quando exprime o preço de uma unidade monetária estrangeira em unidades monetárias de moeda nacional. Exemplo: a taxa de câmbio US$/EURO está definida de forma direta para os habitantes da zona Euro; ou está definida de forma indireta para os habitantes dos EUA).
                        Termos indiretos: quando exprime o preço de uma unidade monetária de moeda nacional em unidades monetárias de moeda estrangeira (exemplo: taxa de câmbio EURO/US$ está definida em termos indiretos para os habitantes da zona Irou, pois exprime o preço de 1 unidade monetária nacional, o irou, em unidades monetárias de moeda estrangeira, o dólar).
                        A taxa de câmbio reflete, assim, o custo de uma moeda em relação a outra, dividindo-se em taxa de venda e taxa de compra. Pensando sempre do ponto de vista do banco (ou outro agente autorizado a operar pelo Banco Central - BC), a taxa de venda é o preço que o banco cobra para vender a moeda estrangeira (a um importador, por exemplo), enquanto a taxa de compra reflete o preço que o banco aceita pagar pela moeda estrangeira que lhe é ofertada (por um exportador, por exemplo).
                        O câmbio é uma das variáveis mais importantes da macroeconomia, sobretudo no que se refere ao comércio internacional. Quando se deseja negociar ativos de um país para outro, quase invariavelmente temos de mudar a unidade de conta do valor desses ativos – da moeda doméstica para a moeda estrangeira. Nesse sentido, pode-se definir a taxa de câmbio de um país como o número de unidades de moeda de um país necessário para se comprar uma unidade de moeda de outro país. Em outras palavras, é o preço de uma moeda em termos de outra.

TIPOS DE TAXA DE CÂMBIO


a)      Única e fixa: a moeda nacional tem uma única taxa de troca com o dólar e com cada uma das moedas vinculadas ao dólar. O país mantém o mesmo poder de paridade sendo a taxa determinada pelo governo (que também pode efetuar reajustes). Uma vantagem dessa taxa é permitir a integração dos mercados internacionais em uma rede de mercados e uma desvantagem é o artificialismo do sistema para economias inflacionárias com desequilíbrio no balanço de pagamentos. O Banco Central-BC é obrigado a honrar o valor da moeda: um aumento na compra de dólares, pressão para queda no valor da moeda local, o BC usa as reservas de US$, vendendo a moeda e reduzindo a pressão.
b)      Única e flutuante: há um único valor em relação ao dólar, mas a taxa flutua conforme a oferta e procura no mercado de divisas. Se ocorrer muita procura por dólar, sua cotação aumenta e a moeda local se desvaloriza. Se o movimento é no sentido de venda de dólares, sua cotação cai e a moeda nacional se valoriza. Sua principal vantagem é que o valor de todas as moedas é estabelecido a um preço que busca o equilíbrio do mercado de divisas. O BC só intervém se considerar as oscilações exageradas.
c)      Múltipla e fixa: quando variam conforme o tipo de transação ou conforme o produto que está sendo importado ou exportado;
d)     Múltipla e flutuante: a taxa flutua como em C, mas também varia de acordo com o tipo de transação ou produto, como em B;


VARIÁVEIS IMPORTANTES NA POLÍTICA CAMBIAL


                        Sigilo: alteração cambial significativa deve ser precedida de sigilo (quanto maior melhor). É decisão de GOVERNO onde LEGISLATIVO e SOCIEDADE não participam. O sucesso, em condições normais, requer processo decisório rápido e sigiloso. Deve ser implementado considerando-se conseqüências e soluções alternativas. O circulo dos que participam da decisão deve ser restrito: Chefe de Governo, direção do Banco Central - BC, altos servidores de Ministérios e pouco mais;
                        Expectativas: em casos excepcionais, o mercado pode antecipar e identificar sinais de mudança cambial futura;
                        FMI: requer consulta prévia se países membros desejam variações iguais ou superiores a 10%. Objetivo: prevenir desvalorizações competitivas. As políticas cambiais de alguns países (com status de grande economia) são de conhecimento prévio do FMI;
                        Desvalorização:
a)      Eleva custo de Importações;
b)      Estimula X;
c)      Incentiva entrada de capitais externos;
d)     Reduz empréstimos externos. Deve ser acompanhada de medidas que restrinjam procura interna
e)      e estimulem Exportações-X para conter efeito inflacionário;
Valorização: pode provocar:
a)      estabilização de preços;
b)      elevação da oferta interna;
c)      redução em: custo das M; entrada de capital externo; Exportações.
                        Uma justificativa para sua utilização é quando a economia apresenta sucessivos superávites no SBP e boas reservas de divisas. Pode causar piora no SBP e estimular maior desemprego. (alguns destes itens ocorreram na economia brasileira no período 1995-98, época da sobrevalorização cambial (do R$)).


CARACTERÍSTICAS DOS INSTRUMENTOS CAMBIAIS


Extremamente poderoso: as alterações cambiais podem gerar efeitos consideráveis na economia interna do país e, também, nos países com os quais mantém relações comerciais;
Forte conteúdo emocional: como a taxa de câmbio reproduz a cotação de uma moeda em relação às moedas de outros países, qualquer desvalorização tende a ser considerada, pelo menos em certos círculos, uma espécie de derrota nacional. Para o país que desvaloriza, isto pode conduzir a uma perda de confiança na sua moeda. Como decorrências: alta de preços; piora na distribuição de renda e outras múltiplas conseqüências;
Menor freqüência de utilização: comparado a outros instrumentos de política econômica;


LIMITAÇÕES DOS INSTRUMENTOS CAMBIAIS


                         I.      Há resistência maior à adoção de desvalorização cambial do que a uma valorização.
                      II.      Deve ser adotado em último recurso após falha dos demais destinados ao mesmo objetivo
                   III.      Muitos não consideram alteração cambial um instrumento regular de política econômica, dado os múltiplos efeitos(até imprevistos) diretos e indiretos decorrentes.
                   IV.      Alguns grupos de interesse (e segmentos populacionais) são contrários ao seu uso. O uso deve se dar no momento apropriado


ATUAÇÃO DO BACEN


                        O BACEN compra ou vende dólares por meio de um grupo de 17 bancos autorizados a fazer negócios no mercado em nome do BACEN. Esses bancos fazem um leilão e fecham as transações com os investidores interessados.
                        Os dólares comprados pelo BACEN são depositados nas reservas internacionais do país. O BACEN pode comprar dólares para evitar a valorização excessiva do Real (R$);
                        Ao fazer qualquer tipo de operação no mercado de câmbio, o BACEN é obrigado a informar isso ao público, no mesmo dia, por meio de comunicado publicado no SISBACEN (sistema de comunicação utilizado entre BACEN e demais bancos).


MOTIVOS PARA O GOVERNO COMPRAR (OU VENDER) DÓLARES


Forçar alta na cotação: embora o BACEN negue que haja intenção de interferir no comportamento do mercado, as compras de dólares favorecem uma elevação na cotação da moeda dos EUA, ou contribuem para que não caia abaixo de um patamar desejado;
Forçar queda na cotação: situação em que o BACEN entra no mercado de divisas vendendo dólares para, na medida em que causa uma oferta adicional de dólares no mercado de cambio, provocar uma queda na cotação da moeda americana no mercado interno;
Reforço de reservas: desde 2003, o BACEN tem sinalizado a intenção de reforçar suas reservas em moeda estrangeira, aumentando as compras.


OPERAÇÕES DE CÂMBIO


                        São operações de moeda, caso a moeda fosse universal, não havia necessidade de efetuar operações de câmbio. Existem duas espécies fundamentais:
- manual: troca imediata da moeda nacional por estrangeira, atende as pessoas que se deslocam para o estrangeiro.
- escriturais: operações mais numerosas, envolvendo importâncias maiores, destinadas à exportação e importação.
                        O controle de câmbio encontra-se, atualmente sob controle oficial, cumprindo ao BACEN não só autorizá-las, como também fixar as respectivas taxas.
Bancos comerciais: para realizar operações de câmbio, todo interessado, deverá procurar um banco autorizado a operar no mercado de câmbio.
                        Bancos autorizados: instituições interessada deve-se enquadrar dentro dos critérios exigidos pelo BACEN em: termos de capital mínimo, corpo administrativo com reconhecida capacidade técnica em operações de câmbio, compradores e vendedores de moeda estrangeira, profissionais qualificados, etc.
                        O sistema cambial brasileiro ele era estritamente fechado, taxa estabelecida pelo BACEN, nenhuma operação poderia ser realizada fora dos parâmetros divulgados, após o Plano Collor, foi substituído por um mecanismo mais flexível, denominado segmento de taxas livres ou comerciais, obrigando aos bancos uma postura mais profissional, com maior autonomia junto ao mercado.
                        O BACEN passou a ser somente banco participante, com direito de estar presente ou não no mercado. Atualmente, a taxa de câmbio é determinada pelo próprio mercado, passando a ser formada pela lei da oferta e procura.
 Sisbacen (sistema integrado de registro ou operações de câmbio): sistema de tele processamento on line, integrando toda a rede bancária, corretoras e outras instituições credenciadas. Consiste em um banco de dados onde são armazenadas informações relevantes às operações de câmbio, incluindo as condições de contratação e liquidação.
                        Siscomex (sistema integrado de comércio exterior): é o controle das operações de câmbio, foram racionalizadas, necessitando-se modernizar as operações cambiais, criando assim o Siscomex, que iniciou com a implantação da emissão do registro de exportação e a licença de importação, o Siscomex é a nova sistemática do comércio exterior brasileiro, que integra as atividades da SCE, SRF e do BACEN.


ROLAGEM DA DÍVIDA CAMBIAL


                        A renegociação de novas datas para pagamento de compromissos com credores externos, de outros países é chamada de Rolagem da dívida cambial. Por ser dívida externa, a renegociação terá sempre uma correlação com a taxa de cambio vigente entre a moeda nacional e o dólar, moeda padrão nas negociações internacionais.
Ocorre um embate natural entre mercado e Banco Central próximo às datas de vencimento da divida publica que esta atrelada ao cambio. Nestas ocasiões, a tendência é a elevação na cotação do dólar em relação à moeda nacional, por três motivos:
             I.      Ocorre maior procura por dólares-US$ para quitar os débitos o que pressiona a moeda, elevando assim a cotação do dólar-US$ em relação ao real-R$;
          II.      Paralelamente à dívida cambial do governo, também há a dívida externa de bancos e empresas, que contribuem para elevar a demanda por divisas;
       III.      Na proximidade do vencimento de dívida atrelada ao dólar, o mercado se antecipa comprando divisas, num movimento especulativo que eleva a cotação do dólar. Após vencimento, especuladores vendem dólares, obtendo volume maior de reais.
                        O governo pode, para evitar turbulência no mercado, negociar com credores uma extensão no prazo de pagamento da dívida externa. É a rolagem da dívida externa. A tendência do BACEN é tentar antecipar as rolagens das dívidas, como forma de diminuir a tensão de mercado às vésperas do vencimento. Concretizada a rolagem, a tendência é estabilização do US$ e, em alguns casos, até a queda em relação à moeda nacional.
                        Quando o BACEN não rola os papéis (títulos) da dívida pública em dólar, resta quitar a dívida. Isto acontece quando o mercado recusa os novos papéis oferecidos pelo governo, salvo taxas de juros consideradas muito elevadas pela autoridade monetária. Como a dívida é paga tendo como base o Ptax (preço médio diário do dólar medido pelo BACEN), os credores podem tentar pressionar a cotação da moeda para aumentar seus ganhos.                            Nesse caso, os principais detentores dos papéis podem forçar a cotação da moeda com a intenção de lucrar mais com a operação, pois a liquidação desse tipo de papel é feita em reais com base no preço médio do dólar, o Ptax.
                        Um exemplo a respeito que pode ser citado é de quando o BACEN em operações realizadas no final de novembro de 2002, colocou papéis com vencimento em abril e julho de 2003, com taxas entre 29% e 32% e, para vencimento em janeiro de 2005 com taxa média de 25,6%. No início de outubro de 2002, o mercado chegava a pedir taxas superiores a 50%. (as eleições presidenciais realizadas em outubro/novembro daquele ano-primeiro e segundo turnos, podem ter contribuído para essas oscilações). Em 2002, a partir de maio, o mercado financeiro ficou mais turbulento, gerando crescentes dificuldades para o BACEN substituir os papéis cambiais que iam vencendo. Em outubro de 2002, após eleições presidenciais, o BACEN pôde rolar um lote vencido de dívida cambial.
                        A menor aversão ao risco que o mercado internacional demonstra nesse momento contribui para favorecer o câmbio e o governo em suas rolagens.


DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL

                            
                        As desvalorizações cambiais provocam instantaneamente uma inflação importada: a alta dos preços das matérias primas e dos produtos intermediários do exterior necessários à produção nacional aumenta os custos de produção. As empresas mais atingidas tentam, a fim de manter sua margem, repassar parte da alta dos custos aos preços, elevando assim os custos de produção de outras empresas: dessa forma, a inflação se estende ao conjunto da economia. A inflação elimina parte dos ganhos de competitividade-preço associados com a desvalorização, o que reduz ainda mais as chances de se ver o déficit externo rapidamente corrigido.
                        As empresas ficam tanto mais estimuladas a fazer o repasse dos custos aos preços quanto mais puderem esperar uma próxima desvalorização que restabeleça de modo instantâneo a competitividade internacional dos seus preços de venda. O país pode se ver preso a um círculo vicioso:

desvalorização>, inflação>>, déficit>>>, desvalorização>>>>..., etc.

                        Na seqüência de uma desvalorização cambial, os volumes de importações e de exportações não se adaptam instantaneamente. A prazo muito curto, os volumes de troca pouco se alteram. Como os preços das importações aumentam e os das exportações diminuem (deterioração das relações de troca), as receitas de exportação regridem (contração) e a fatura das importações se expande: o déficit do SBP torna-se acentuado, em vez de atenuado, pela desvalorização. Há necessidade de um período de tempo para que a modificação do preço relativo dos produtos nacionais e estrangeiros afete sensivelmente os volumes de troca, contribuindo assim para limitar o déficit. Esse fenômeno é conhecido como "curva em J": durante o primeiro ano depois da desvalorização, o saldo se deteriora; em seguida vai melhorando de forma progressiva, mas podem-se esperar dois a três anos até que retorne ao equilíbrio (o período de tempo pode oscilar, em função de diversas variáveis conjunturais e/ou estruturais, internas e/ou externas). Assim, mesmo quando a desvalorização contribui para corrigir o déficit externo, o processo pode ser longo.
                        No restabelecimento do equilíbrio das contas externas (e da inflação associada), se faz necessário à adoção de uma política rigorosa que possa corrigir de maneira duradoura tanto a inflação quanto o déficit externo, a partir da adoção de um conjunto de instrumentos tais como: redução dos gastos públicos, alta das taxas de juro, contenção da emissão de moeda. Mas é necessário, além disso, que a política tenha credibilidade, de tal forma que os especuladores fiquem conscientes de que o governo está verdadeiramente determinado a suportar a austeridade-e é politicamente capaz de fazê-lo- durante todo o tempo necessário à concretização de sua política.


CORREÇÃO DAS CONTAS EXTERNAS POR MEIO DAS TAXAS DE JUROS


                        Adotando um aumento na taxas de juro o governo pode obter equilíbrio das contas externas-eliminação do déficit do SBP.
                        Com a Taxa de juros mais elevadas acaba-se estimulando a entrada de capitais externos, o que pode contribuir para o equilíbrio da conta de capitais/balanço de capitais, que se apresentava deficitário ou até mesmo produzir um excedente no balanço de capitais que permita compensar um déficit no balanço de transações correntes (SBP c/c).
                        Esta estratégia não vale para longo prazo. O que acontece é que as entradas de capitais atraídos por taxas de juros elevadas constituem uma forma de empréstimos tomada ao exterior. Por isso, elas envolvem, nos anos seguintes, pagamentos ao exterior dos juros; do principal (o capital tomado).
                        Portanto, toda entrada de divisas é, cedo ou tarde, compensada por uma saída de divisas. Em termos imediatos, o SBP c/c é mais reduzido pelo serviço da dívida (o pagamento anual de juros). Torna-se então forçoso gerar, a longo prazo, outros recursos em divisas: superávit no SBP c/c; ou entradas a longo prazo de capitais não-emprestados (investimentos diretos do exterior dentro do país: instalação e desenvolvimento de atividades produtivas, participação no capital de empresas nacionais).
                        Dessa forma, a longo prazo, o equilíbrio das transações correntes constitui uma real restrição que não pode ser indefinidamente contornada por novos empréstimos do exterior. Indefinidamente, está claro que não; mas por muito tempo, às vezes...!
                        A economia de um grande país industrial pode adiar por um bom tempo o efeito de uma restrição, na medida em que o pagamento dos empréstimos antigos (saídas de capital) possa ser compensado pela tomada de novos empréstimos do resto do mundo. Longos períodos de endividamento podem transcorrer antes de ser questionada a capacidade de pagamento do país nos mercados financeiros internacionais. Como o horizonte da política econômica é, na maioria das vezes, o curto ou médio prazo, o recurso ao aumento dos juros para favorecer empréstimos no exterior e momentaneamente reduzir o déficit pode constituir um instrumento de política econômica pertinente. Um governo pode muito bem sentir-se tentado a transferir aos futuros governantes o ônus de reequilibrar as contas, desde que a ocorrência desse ajuste inevitável permaneça bem longínqua.


PORQUE AS EMPRESAS SE FORTALECEM EXPORTANDO


  1. As exportações permitem diluição de riscos em diferentes mercados
  2. Permite uma melhora do fluxo de caixa além de proporcionarem estabilidade das receitas operacionais
  3. Reduz inadimplência (ou eliminam) e, nas vendas internas geram financiamento indireto dos impostos.
  4. Eleva  produtividade industrial
  5. Transforma o mundo em mercado potencial
  6. Desempenha fator de reciprocidade positivo nas negociações bancárias, além de abrir oportunidades para a importação de tecnologia oculta sem custo.
  7. Desenvolvem cultura e mentalidade sobre qualidade e cumprimento de prazos promove integração interdepartamental


VALORIZAÇÃO DO DÓLAR X DESVALORIZAÇÃO DO REAL


                        No ano de 2001 a valorização do dólar foi quase de 30%, isto foi positiva para a balança comercial. Quando a cotação do dólar sobe, aumenta a receita em reais dos exportadores. Com isso, muitas empresas passam a preferir vender seus produtos no exterior em vez de comercializar os mesmos bens no mercado interno.
                        Esta valorização deu um fôlego extra às cidades do interior movimentadas por exportações de produtos agro-industriais. O cambio favorável e produção cada vez mais profissionalizada fizeram com que a receita das vendas externas crescesse 28% em 2001. O montante estimado do crescimento, R$ 18,7 bilhões, contribuiu para reativa indústria, comércio e serviços em municípios que viveram momentos difíceis na década de 90.
                        Essa injeção de capital impulsionou o consumo de bens duráveis, como carros e tratores, num ritmo que não acontecia a uma década em todo o interior do Brasil. O varejo é o primeiro a se beneficiar da renda maior dos produtores: a inadimplência, de 1,14% em julho/01 no interior do estado de São Paulo é menor que a de 2,4% na Grande São Paulo.
                        Alheia às manchetes sobre crise na Argentina, queda de faturamento, aumento do desemprego e da inflação, pelo interior do Brasil houve crescimento. Produtos como soja, fumo, calçados, açúcar, carnes, suco concentrado de laranja, estão por trás desse crescimento. Não se trata de uma febre perdulária de consumo: quem está trocando de carro ou de trator é porque não o fazia há muito tempo. A recuperação tem um lado perverso: as empresas passam a se modernizar, comprando máquinas que acabam substituindo a mão-de-obra. Em determinados segmentos o emprego diminui. Em outros, pela vitalidade da economia, surgem novas oportunidades de trabalho.  


PRESSÃO SOBRE O CAMBIO


                        A alta acumulada do dólar de 31% em janeiro-julho de 2001 é uma taxa expressiva, suficiente para ameaçar os parâmetros de controle da inflação e dificultar a vida das empresas endividadas em moeda estrangeira.
                        A intervenção do governo no mercado cambial tem as seguintes características:
 a) Atuação direta no mercado à vista: o BACEN vende ou compra dólares diretamente dos bancos. Se quiserem derrubar as cotações, a autoridade monetária vende moeda, que sai das reservas. Se o objetivo é deter uma queda forte do dólar, o BACEN compra dólares, aumentando as reservas.
 b) Leilão de títulos cambiais: é uma das formas indiretas de aliviar a pressão sobre o câmbio, destinada a atender a demanda por proteção cambial-Hedge, por parte de empresas e tesourarias de bancos. Se há uma oferta maior de títulos cambiais, as instituições tendem a demandar menos dólares. Os títulos cambiais são corrigidos pelo dólar, oferecendo ainda um rendimento prefixado.
  c) Mercados futuros: nesse mercado, um investidor- que pode ser o BACEN- assume o compromisso de comprar ou vender certa quantidade de determinado bem, por um preço predeterminado, numa data futura, para outro investidor. Esses contratos são negociados na BM&F, onde os investidores fazem o ajuste diário do que um deve ao outro. No momento, esta possibilidade é vetada pelo acordo do governo com o FMI. A atuação no mercado futuro se dá por meio dos derivativos.
  d) Opções: há opções de compra e venda. Na opção de compra, o investidor adquire o direito de comprar um bem-o dólar, nesse caso-por um preço determinado de outro investidor, que pode ser o BACEN. Para isso, é preciso pagar um valor antecipado, o prêmio. Na opção de venda, o investidor adquire o direito de vender o bem por um preço determinado. A atuação ocorre via derivativos.


SWAPS CAMBIAIS


                        São instrumentos que os investidores usam para proteção contra as oscilações do cambio. O contrato garante ao investidor remuneração dos recursos emprestados ao governo de acordo com a variação cambial do período da compra até o seu vencimento mais uma taxa de juros prefixada (copom)
                        A redução na oferta de swaps afeta o dólar? Se o governo diminui a rolagem, reduzindo a oferta dos swaps cambiais, o investidor passa a ter os contratos futuros de dólar como única opção para garantir o patrimônio em moeda estrangeira. O aumento da demanda do dólar futuro afeta também o dólar (a vista), elevando a cotação.

ALTERNATIVAS PARA O GOVERNO CONTER A LATA DO DÓLAR


Medidas tradicionais
Resultados esperados
             
 1. Alta dos juros: subir os juros básicos da economia (SELIC)
Para atrair recursos externos (US$) ao mercado, em busca de maior rentabilidade.
  2. Intervenção: aumentar a intervenção direta no mercado, com maior venda de dólares à vista (papel moeda) e títulos cambiais.
Uma oferta maior tenderia a baixar a cotação da moeda americana
  3. Elevar compulsório: elevar a alíquota do recolhimento do compulsório (dinheiro retido pelo Banco Central) sobre os depósitos à vista (em setembro/2001 = 45%)
Para diminuir a disponibilidade dos bancos para aplicar na moeda norte-americana
  4. Recorrer ao FMI: obter novos empréstimos ou sacar parcelas já acertadas;
Para reforçar as reservas cambiais do governo
  5. Estimular exportação: adotar medidas de estímulo: reduzir impostos s/ vendas para exterior;
Com a meta de contribuir na expansão do fluxo de recursos para o país


PORQUE O DÓLAR SOBE DE COTAÇÃO


a)      Como acontece com qualquer mercadoria, o dólar sobe quando aumenta a procura e a oferta se demonstra insuficiente.
b)      Quem tem dólares só se dispõe a vendê-los a um preço cada vez mais elevado
c)      As instituições financeiras também podem pressionar o BACEN a entrar no mercado com a intenção de fazê-lo vender títulos cambiais
d)     Como os títulos cambiais pagam juros prefixados, além da variação cambial, são boas formas de investimento.


COMO FUNCIONA A INTERVENÇÃO DO BANCO CENTRAL


                         I.      Uma das formas do BACEN intervir no mercado para tentar segurar o dólar é via realização de leilões de títulos cambiais.
                      II.      Esses papéis pagam a variação do preço da moeda dos EUA e juros para os investidores que os adquirem.
                   III.      Os bancos e empresas compram títulos cambiais como forma de se protegerem das oscilações do dólar.
                   IV.      Há um limite para o BACEN realizar esses leilões, pois eles aumentam a dívida pública.


COMO FUNCIONA O MERCADO DE CÂMBIO


QUEM COMPRA

QUEM VENDE

 1-EMPRESAS E BANCOS
Para saldar compromissos e também para se protegerem das oscilações da moeda até o vencimento de dívidas futuras
1-EMPRESAS
Quando recebem capital da matriz e precisam fazer a conversão para operar em reais; para "limpar" o balanço, por motivos estratégicos.


2-ESPECULADORES
 Compram a fim de lucrar na alta. Podem realizar operações várias vezes no dia.  Compram na baixa e vendem na alta
2-ESPECULADORES
Quando estão com dólares e acham que a cotação está boa, mas que deverá cair, vendem para lucrar.


3-PESSOA FÍSICA
Para reserva (tipo demanda de precaução ou forma de investimento); pagar despesas feitas no exterior: viagens, compras, etc.;
3-PESSOA FÍSICA
Quando possui sobra de viagem e quer trocar; se tem dólares guardados como aplicação e acha a cotação boa para venda;

4-BANCOS
Normalmente tem a maior reserva de dólares
                   

PROCEDIMENTOS


                         I.      Ligam para as corretoras de câmbio para verem as diferentes taxas praticadas pelas instituições financeiras no momento
                      II.      As corretoras ficam em contato direto com as mesas de operações de diversos bancos
                   III.      Depois de pegarem as taxas, as corretoras as passam para os clientes, que decidem ou não fechar o negócio.
                   IV.      Se a procura pelo US$ cresce quando negociado a um determinado preço a tendência é um aumento dos valores pedidos. Assim, o US$ sobe.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Para um país que deseja impor controle sobre as variações cambiais e preservar o direito de continuar emitindo sua própria moeda, a política cambial oferece a possibilidade de o governo influenciar no comportamento do mercado de câmbio e da taxa de câmbio. Desse modo promove ajustes de preços relativos por meio da taxa cambial, utilizando os instrumentos cambiais como ferramentas para criar/manter uma política econômica interna robusta. A preservação de instrumentos clássicos de defesa contra possíveis investidas do mercado, torna-se fundamental para que isso ocorra. O cumprimento de todas essas regras pode conduzir a economia à estabilidade.
Diante desta constatação, pode-se sugerir que, ao escolher um determinado regime (política cambial a ser seguida), seja ele qual for, torna-se crucial o empenho das autoridades no sentido de criar condições que visem a sua manutenção. Do contrário, o colapso do sistema adotado torna-se apenas uma questão de tempo.
  

GLOSSÁRIO

·         AM: Autoridade Monetária
·         BACEN: Banco Central do Brasil
·         BC: Banco Central
·         BM&F: Bolsa de Mercado & Futuros
·         EUA: Estados Unidos da América
·         FMI: Fundo Monetário Internacional
·         HEDGE: nome que se dá para a proteção cambial contra a desvalorização do    Real (R$). Atua como uma espécie de seguro contra a desvalorização
·         PTAX: Preço médio diário do dólar medido pelo BACEN
·         R$: Real, moeda brasileira
·         SBP: System Brassiere de Pigment
·         SCE: Sistema de Comércio Exterior
·         SRF: Secretaria da Receita Federal
·         SISCOMEX: Sistema Integrado de Comércio Exterior
·         SISBACEN: Sistema Integrado de Registro ou Operações de Câmbio
·         US$: Dólar Americano



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